Já era tarde da madrugada, ela entrou no carro dele
sem expectativa nenhuma, não queria ele, ele não tinha nada a ver com ela. “Desculpa
querido se eu acho ridículo bermuda com tênis de mola, acho horrível, o Ó,
ainda mais se vem acompanhado de um topetinho encharcado de gel na cabeça,
muito brega...”
Mas bora lá, garota! Tu tá carente, bêbada e ele tem um
papinho legal...
Eles se beijam, ele não passa a mão na bunda dela e nem
tenta nada do tipo a mais, “fraquinho”, ela pensa...
Poderia compensar os tênis e o gel no cabelo, né? Mas tudo
bem... Nada é perfeito, já dizia a minha mãe...
Nossa! Mas como que tu não vai querer um homem como ele? Bem
sucedido, tem carro, casa, dinheiro, é um charme e um bom galanteador, faz um
esforcinho, guria!
Um dia ele chama ela pra sair novamente, ela coloca qualquer
roupa e vai... Sem maquiagem e sem expectativas de nada, apenas vai...
Ele chega no bar, pede o vinho mais caro, acompanhado de
bolinhos de queijo com água... e ela pensa: Pobre rapaz, tentando me agradar do
jeito que agrada a todas, preferia muito mais estar em um boteco, bebendo uma
cerveja, fumando um cigarro e estando muito mais molhada que esse vinho chileno
seco aí...
Eles vão embora, o fusquinha infla o peito e pensa: “Viu, tá
no papo.”
Papo? Que papo seria? Só porque ele pagou um vinho caro pra
ela? Ela nem gosta de vinho, rapaz! Tu acha que só tu faz teu show? Não não...
ela também sabe fazer, e direitinho...
Tão direito que o fusquinha achou que ela achava ele um
avião....
Cansada desse tipo, sinceramente...
Ele se acha o pica das galáxias, se for, deve ser só para as
Barbies sem nada na cabeça e que só querem a grana dele.
Desses aí eu sinto pena, apenas.
Fusquinha, tu não é um avião!
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